Quando eu tinha meus 9 ou 10 anos de idade descobri a Legião Urbana. Virei fã no primeiro instante que ouvi uma música de 11 minutos (Metal contra as nuvens), aquilo era inacreditável.
Óbvio que Renato Russo já tinha morrido, nunca tive ídolos vivos, o que dá um certo ar macabro na minha vida, mas vamos lá: no Natal de 1997, quando eu tinha 10 anos, resolvi pegar uma carona com meus vizinhos e ir passar o Natal com meus avós, em Venancio Aires.
Eu não acreditava mais em papai Noel, mas também acreditava que eu não ganharia nada de presente dos meus pais, afinal, eles estavam há 500km de mim, como me entregariam algo?
Então surge minha tia com isso:


Eu mesma tinha levado meu presente achando que eram documentos pra serem entregues pra minha tia, quando na verdade era o CD da Legião Urbana que eu tanto queria. Acredite, isso tudo só fez com que eu gostasse menos de Natal, é muita nostalgia, sou toda errada pra sentimentos, emotiva demais. Mas eu tinha o CD da Legião que eu tanto queria.
Bom, me apaixonei mais ainda, procurei todas as músicas, fiz álbum da Legião, e comecei a adolescência sabendo como ela iria terminar.
Eu gostava de músicas com letras mais politizadas, mas “algo interessante pra mim ou pro mundo” ou gostava das melodias, dos ritmos… ecleticamente legionária, fã de Renato Russo, mas nunca na vida consegui gostar de Chico Buarque.
O que ele tem a ver com a história toda?
Um dia, já eu com 14 anos, comprei um CD do Renato Russo, carreira solo, e encontro a música Gente Humilde. Foi amor à primeira vista. Como vocês devem ter deduzido, ela é do Chico Buarque mas em parceria com Vinicius de Moraes. Sempre gostei de Vinícius, nunca de Chico.
Então eu pensei: Renato Russo já usou tantas drogas e eu demorei séculos pra diferenciar o que era maconha e crack, nunca soube o que se fuma ou o que se injeta, e menos ainda o que se cheira, porque eu deveria gostar de Chico Buarque?
Jamais eu morreria de Chico Buarque, por isso descobri que ele não se resume em “A Banda” ou “Morena de Angola”. Chico não é droga que mata, Chico é nome de filho.
Não vou ser fã dele por um simples fato: não gosto de gente viva, mas sinceramente, respeito.
Se acaso me quiseres,
Sou dessas mulheres
Que só dizem "sim!",
Por uma coisa à toa,
Uma noitada boa,
Um cinema, um botequim.