Quem me conhece, sabe bem que tive um sonho grande de ser escritora, mas chegou  um dia que decidi que eu não tinha talento para isso e simplesmente desisti.

Meu namorado acho que foi a única pessoa que conversou comigo sobre isso, me incentivou,  e talvez foi isso que me estimulou a continuar escrevendo mesmo se não tivesse leitores, mesmo eu desacreditando em mim.

Em abril deste ano surgiu uma oficina literária, ministrada pelo Mário Simon, escritor e professor de renome por esta região. Quem o conhece, ama, pois ele tem uma simplicidade refinada em certas coisas que escreve, além de ser uma excelente pessoa.

Óbvio que me aventurei no curso, que seria por curtíssimos 4 meses. Eu ficava animadíssima em sair de casa a noite em pleno inverno rigoroso aqui do Sul. Me sentia tão feliz com o que estava aprendendo.

Tive inicialmente um bloqueio de criatividade que dava medo, mas depois, quando o professor ensinou que escrever é 90% suor e 10% inspiração, as coisas começaram a fluir.

É interessante compartilhar com as pessoas que tu não será um gênio o tempo inteiro, que até os melhores tem seus péssimos dias e a cada 10 textos se 1 sair bom, já é uma grande coisa.

Eu achava que precisava somente ter talento, saber usar as palavras certas, mas é muito mais que isso, é um trabalho sério e muito prazerozo.

Neste sábado (08/10) foi o lançamento do livro Oficina das Letras, com obras realizadas durante estes 4 meses de curso. Pode parecer bobagem para vocês, mas para mim foi uma realização profissional, foi o que me fez pensar em querer mais.

Quero isso para minha vida.

Foto Turma I


Tônia Werste diz (23:21)
desde que eu era criança, novinha mesmo, 7 ou 8 anos
eu via meus amigos reclamando de Entre-Ijuis
adolescencia então era pesadelo
se entravam em chat, todo mundo era de Santo Angelo
tu lembra, eu desde sempre falei Entre-Ijuis
nunca escondi ou tive vergonha de morar em cidade pequena
Tônia Werste diz (23:22)
porque é um saco todo mundo conhecer todo mundo, mas também deve ser um saco morar onde ninguém se cumprimenta
thiago kansao diz (23:22)
sao extremos
morar aqui nao é facil
é frio
Tônia Werste diz (23:22)
só que assim, eu entrei na adolescência, e se precisava sair tinha que o pai levar
se quisesse

Tônia Werste diz (23:23)
quando estava com 18 anos minha turma mudou total, porque saí do colégio e cada um foi pra um canto
eu fiz amizade com muitos guris
então chegava final de semana e eles saiam pras festinhas deles e, por motivos óbvios eu não acompanhava
Tônia Werste diz (23:24)
e eu acabava ficando em casa, não tinha como sair sozinha, dar uma volta, sem carteira, sem carro
e eu sempre odiei sexta-feira por sentir uma solidão incomum
thiago kansao diz (23:24)
domingo a noite
Tônia Werste diz (23:24)
sempre estive rodeada de milhares de pessoas, sexta-feira eu era sozinha
só que domingo a noite todo mundo é só
na sexta, era praticamente só eu
Tônia Werste diz (23:25)
e até hoje eu odeio sexta-feira porque o mundo todo tá acontecendo e eu to embaixo do edredon
minhas amigas mulheres TODAS moram longe

Tônia Werste diz (23:26)
eu não tenho amigas aqui
pra ir visitar.
Tônia Werste diz (23:26)
quando elas vem pra cá visitar pais ou afins, sempre dou um jeito de ir vê-las. Sexta-feira é meu tormento.

Tônia Werste diz (23:35)
é que o fato de eu não poder sair por não ter carteira, me faz me sentir mais idiota
tipo 'bem feito, ninguem mandou ser bocaberta, agora fica em casa sem ver ninguem, sem nem poder buscar uma cerveja pra te fazer companhia'


Que minha vida está passando por uma turbulência ninguém duvida. É uma mistura de sensações, pensamentos, sentimentos. Decisões para tomar e falta de tempo para pensar.

Coisas ruins acontecem, me chateiam, me decepciono… principalmente comigo mesma. Pela cegueira que tive, pela indiferença que recebi ao final de tudo.

É impressionante o quanto seres humanos podem ser indiferentes aquilo que tu se doou tanto ao longo dos meses. Fica a lição e a certeza de novos e bons rumos.

Ao meio desse turbilhão eu redescobri meus amigos. Nossa, eu nem lembrava o quanto eles são essenciais. Chega determinado momento em que cada um segue sua vida e o distanciamento é inevitável.

Mas se tem coisa que é certa é que para amizade sincera não existe tempo nem distância (clichê detected). Tô até emocionada por tantas manifestações de carinho, de saudade. Amizade sincera não tem preço (clichê cabível)

Maior que todas as mudanças que minha vida está alcançando, são os aprendizados que ando tendo. Lições. Eu nem tinha percebido que cresci, que sou mulher e que a vida realmente cobra por isso.

E melhor ainda vai ser o dia que eu tomar consciência de que sobrevivi à tempestade estou passando. Não sei se é sorte ou merecimento, mas seria muita ingratidão de minha parte se eu chorasse agora.

O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...


DSCN0013

 Vocês conseguem acreditar que eu me enganei?

É, eu sinto vergonha de ter pensado isso.

Por que eu achava? Ora, eu sou pessoa que faz amigos com facilidade, que preza por uma cerveja e um rock n’ roll.

Prefiro um churrasco do que frescuras, prefiro companhia do que sair para dançar. Ando de chinelo e vestidinho, e prefere um jeans desbotado ou rasgado e que combine com um tênis do que um sapato alto.

Não tenho vergonha de pedir informações, de falar com um desconhecido, ou de dar risada das próprias celulites.

Aliás, rir… nada como uma boa gargalhada mesmo que seja sozinha, e eu sou dessas que ri muito quando está sozinha.

É, mas vocês sabem que me enganei. A sociedade exige da gente. Não basta só ser inteligente ou ter um tirocínio, precisa também ser descolado, malandro.

Mesmo que a futilidade seja quase imperceptível, todo mundo prefere gostar do que vê, e tem coisas que só a Arezzo ou Vitor Hugo fazem pelas pessoas.

E não adianta ter facilidade para fazer amigos, se estes amigos tem um estilo de vida totalmente diferente do teu, moram longe ou tomam rumos diferentes, no fim o resultado é o mesmo: solidão.

Ter maturidade para a idade, mas é sensível a ponto do choro atrapalhar qualquer tentativa de argumentação. E ser debochada e irreverente não esconde inseguranças.

Mas eu aprendi que não sou perfeita só porque as pessoas preferem que eu não seja. Pois cada ser que passa em minha vida exige um pouco mais de mim. Nunca vai estar bom para eles, nunca está bom para ninguém, que ainda ordena para que eu tenha paciência, que eu devo entender que as pessoas erram.

E além disso tudo, dizem por aí que o meu dever é perdoar.


Tudo começou quando no início desta semana resolvi enviar um email para o meu namorado pra desabafar um pouco. Eu tinha planos mas não via outros ângulos e ele acabou me chamando atenção a isso.

Fiquei um dia praticamente pensando só naquelas respostas e decidi: ele tem razão. Tá na hora de eu ter outros rumos profissionais, e os acontecimentos que sucederam só me fizeram ter mais certeza disso.

Conversei com meus pais, afinal, foram eles quem investiram para eu estar onde estou, e eles me apoiaram e acharam muito bom também.

Kika Werste diz (15:02)
o que tu mais gosta é mudança...sperling
Tônia Werste diz (15:02)
é
Tônia Werste diz (15:02)
trauma de infancia que todo mundo se mudava menos eu

E foi assim que resolvi tomar novos rumos profissionais. Foi o primeiro passo, que sempre é o mais difícil. É que pensei: se não for agora, depois vai ser pior. Hoje então é meu último dia de escritório.

Não sei exatamente como vai ser daqui pra frente, mas de qualquer forma, tô feliz. Aliás, esse ano, se existisse um mapa astral pra mim, ou se eu acreditasse neles, estaria escrito “2011, o ano de mudanças”. Quantas! Muito mais que ano passado que recebi OAB e resolvi montar escritório. Agora a mudança foi em desmontar o escritório, mas principalmente, mudança em mim.

Talvez fosse pra ser assim. Talvez foi o destino que eu mudei. Meus sonhos hoje já tem formas.


Não sei como dizer o quanto eu amo animais. Acho que só minha inferioridade de ser humano é o que faz eu ainda comer carne, porque morro de dó.

Tenho um peixe, o Rex e me sinto negligenciar um pouco com ele porque fico pouco tempo perto do aquário. Meus pais até me ajudam, o alimentando quando tenho que sair de casa, assim como também fazem com a Brida e com a Luva.

Bom, a Brida e a Luva são mais do que minhas “cãs”, quando vejo minha madrinha chegando aqui em casa e elas correm para recebê-la já ouço um “amores da dinda, oi’’, e com o resto da família também é assim, ou seja, elas são uma extensão canina do meu corpo.

E são mesmo, eu tenho a preguiça da Luva, o pensamento incomodativo da Brida, a necessidade de carinho da Luva, a crespice da Brida, e assim vai…

Acho animais muito superiores que a gente, a fidelidade, o amor que eles demonstram, sim, demonstram e muito. Não falo só de cachorro, mas de todos os bichos mesmo. Sabemos de histórias de pessoas que criam porcos, javalis, carneiros, cabritos (poc, poc, poc), dentro de casa.

Claro, não dá pra pegar um leão e colocar ele na sala, muito menos um elefante, mas vai dizer que não são animais lindos? Tá, elefante nem tanto, mas é engraçadíssimo, estroncho, e é exatamente onde se está a beleza desse animal.

Sou contra maltratos, tirando o fato de quando eu ganhei uma lupa e aprendi a colocar fogo nas coisas, eu não maltrato nem formiga. Não por querer. Seria a favor se Noé tivesse pisado “sem querer’’ nas aranhas quando entraram na arca, mas ainda assim sei que elas são essenciais na natureza.

Descartável

Esse poderia ser o Che, meu futuro beagle, como maltratar uma coisinha assim? Como jogar fora aqueles olhinhos? Sério, se for para maltratar, evitem ter cachorros!


Clica aqui e entenda do que estou falando… e fique com o coração apertado também… vi a Luva várias vezes nessa história e chorei uns 18l também ao ler.


Meu humor vai bem, obrigada! Mas eu tenho mudado, sei que sim. Troquei minhas prioridades, parei de me preocupar com o que não devia, às vezes dá certo.

Minha cabeça anda muito ocupada. Tenho seguido minha dieta à risca, sem presentinhos, sem consciência pesada. Acho que posso dizer que estou em paz comigo mesma.

Mas se enganam aqueles que acham que não tenho problemas, que está tudo bem. Bem capaz! Só que também descobri que não adianta arrancar meus cabelos, não é assim que as coisas se resolvem.

Sabe, a melhor coisa que fiz na minha vida foi pensar em mim. Cansei de ser resto de mim mesma e aceitar que as pessoas me tratassem assim. Sei que nunca na vida vou ser autossuficiente em tudo, que eu preciso, e muito, de pessoas, mas também há um limite entre pessoas que simplesmente te descartam da vida delas.

Tô ficando meio assim xarope
Dessa lenga lenga, já amarrei o bode
Pode crer que tudo tem a ver com tudo
Tem a ver com o mundo
Tem a ver com ser perfeito
Tá na rua, tá na banca de revista
Tô na pista e não te desconcerta
Sempre alerta
Na notícia esperta
Nesse compromisso
Numa dose certa


Sim, sou trágica, dramática, uma atriz sem palcos! Tenho preocupações desnecessárias que fazem meu estômago se corroer de dor.

Meu problema é não gostar de superficialidade, de meio-termo, de água morna, ou abacaxi com açúcar. Não consigo ser meia-amiga, gostar mais ou menos. É impossível!

Então, essa intensidade me traz problemas. Posso dizer? Há muita contradição interior: a pessoa aqui quer muito, mas acha que não merece, e a despeito de poder ter algum talento tende a ver muitos defeitos em mim mesma. Isso pode se traduzir na forma de obsessões em relação aos próprios problemas, uma atenção desmedida em relação a pequenas coisas. Sou detalhista demais, e exagerada demais.

O resultado pode terminar sendo uma neurose obsessiva, que é uma perversão do perfeccionismo saudável. Se sou doente, louca? Patologicamente falando, não mais.

Fui traumatizada ao longo da vida por pessoas que não me davam valor,  e isso ainda tem acontecido. Então eu comecei a acreditar que a errada deveria mesmo ser eu, e passei a pensar como eles.

Não, eu não estou na fase ‘eu me amo e não posso viver sem mim’,  mas tenho dedicado um tempo na minha vida para resolver meus conflitos, porque posso não ser um poço de virtudes, mas estou bem longe de ser descartável.

Por que pessoas acabam surgindo também para mostrar quem tu é de verdade. Pessoas que param para ouvir tua história e não apenas contar a delas. Não elogiam em nenhum momento, mas demonstrar uma alegria incontida com a tua presença.

Isso sim é relevante, porque eu simplesmente cansei de me impor tantos limites, ficar me moldando, policiando.

Inferno, viu?! Tu levanta da cama sem saber mais quem tu é, porque toda tua personalidade gritante foi para os surdos. Ao menos eu me ouvi e é por isso que hoje me recuso a ficar em cima do muro.


O que eu realmente penso ou acho de uma pessoa que pouco convivo é o que menos importa . Pra mim é interessante viver um bom momento, ter algo para lembrar no futuro. Se transmitiu um tantinho de alegria que fosse, a mim já é alguém que vale a pena!
O que importa é o que verdadeiramente somos e eu, entre tantos defeitos e virtudes, sou humana, é isso que me dá capacidade de errar!

Vem cá

Isso são horas?

estoy aqui

Losers

É isso

Nós, os malucos, temos um lema Tudo na vida é um problema Mas nunca tente nos acalmar Pois um maluco pode surtar Os nossos planos são absurdos Tipo gritar no ouvido dos surdos Mas todo mundo que é genial Nunca é descrito como normal

Quanto a mim

faça-me sorrir